segunda-feira

Dia 4 = Logroño - Belorado

22/04/2007
Distancia Percorrida: 72,35 Km
Tempo de Pedal: 6h 26m 44s
Tempo total: 9h
Velocidade maxima: 48,5 km/h
Velocidade Media: 11,2 km/h
Km total percorridos: 254,57 Km
Fotos deste dia: Aqui.
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Pensava em terminar esta jornada na cidade de Nájera, que fica a cerca de 40 km de Logroño.
Mas o caminho foi sereno, mesmo com aquelas montanhas e com os 38ºC sobre o capacete.
Assim, cheguei em Nájera pelas 14:00h, indo direto ao albergue de peregrinos carimbar a credencial. O albergue abriria somente as 16:00h, mas o hospitaleiro, muito gentil, fez-me o favor de carimbá-la. Mais um sellito pasra colecçao,,,

Já passava da hora de "carimbar" alguma coisa no estomago, e agora a procura era por um restaurante ou supermercado.
Sinceramente, pouco me interessam os restaurantes com seus "menu del peregrino". O que mais satisfaz-me é "invadir" um supermercado e comprar as guloseimas, para entao fazer um pic-nic embaixo de uma arvore, na sua sombra, na grama, rodeada de flores; ou mesmo embaixo de uma ponte antiga, ou atras de uma "iglesia", ou na porta de uma fabrica de cerveja.
Paes, presunto, queijo, alface, tomate, iogurte, coca cola gelada, e as inseparaveis bananas (plátano). Como cai bem isso,,, e, de sobremesa, chocolates. Muitos. Aliás, um dos prazeres que tenho ao terminar minhas pedaladas é poder comer, sem remorsos, os meus 3 ou 4 kit kat. Mui bueno,,, y yo preciso de energías,,,

Ainda era muito cedo e as cidades sao razoavelmente pequenas, o que permite-nos conhece-las e fotografá-las em cerca de uma hora. Decidi ir um pouco mais adelante.

Ainda estava esticando as pernas na grama quando aparece, "do nada", a minha amiga Graziella. Que surpresa agradável! Eu já estava de partida, mas resolvi ficar mais um tempo e acompanha-la em seu almoço. Havia também outra mulher, Kaia, que veio da terra do Papai Noel, Finlandia. Kaia nao fala nada de espanhol, e fui o seu interprete para pedir o almoço. Espero que eu tenha acertado na escolha. Já ñ lembro-me o que pedi, mas como ela queria algo com sal, ñ foi difícil escolher no menu. Pela vontade com que ela comia, acho que acertei mesmo.

Elas comeram, e nós bebemos um vinho, e brindamos a vida e as alegrias do caminho!! Rimos, mais emoçoes, mais fotos. Pude saber um pouco mais da Grazi, e soube que ela faz parte de uma associaçao que cuida de crianças carente no Peru. Esta italiana ñ perde tempo,,, demais. Fez-me prometer que irei à Italia, e disse-me que tem 3 filhas lindas, mas que uma é já é casada,,, hehe

Despedimo-nos! Sabe-se lá quando nos veremos novamente,,,
Segui meu caminho, e ela o dela. O mais importante é que durante o tempo em que nossos caminhos se cruzaram, a troca de energias foi fantastica e emocionante. Juntos ganhamos com isso. Obrigado Graziella! Prometi enviar-lhe todas as fotos das flores que eu captar pelo caminho, e assim será.

Seguindo meu rumo, passei por Santo Domingo de La Calzada. Neste povoado existe uma Catedral, onde tem um galo. Até aí, nada de mais.
Mas existe também uma estória, onde diz, resumidamente, que, há séculos, um homem iria ser enforcado por um crime que, alegadamente, cometera. No dia da execuçao, a mulher deste homem foi aos lideres da comunidade, novamente, implorar pela inocencia do marido.
Mais uma vez os lideres riram-se da senhora, e um deles disse que a inocencia daquele homem era tao verdade quanto a possibilidade do galo, que estava na cozinha, a ser escaldado para o almoço, cantar depois de morto.

Mas assim foi: no momento em que foram dar a primeira garfada no bicho assado, sobre a mesa, o dito cujo cantou!! Cantou e livrou o homem da forca!
Desde aí, todos os peregrinos que passam pelo povoado dirigem-se à catedral, e quando o bichano canta, significa que o peregrino terá boa sorte um sua caminhada.

Mas hoje ñ havia galo para cantar, pois a catedral estava fechada. Ñ me preocupei, pois ainda ontem estava na mesa de jantar a ouvir o italiano Alberto "Galo" a cantar com sua gaita, as suas cançoes. Para mim e mais 3 pessoas. De uma forma ou de outra, em meu caminho, eu ouvi o galo cantar.

A passagem por S. D. de La Calzada foi breve; pois é bem pequeno. Dirigi-me entao para Belorado, e pretendia passar a noite ali .

O sol estava a escaldar-me, e nada da chegada de Belorado. Depois de muito sufoco, entrei em um povoado para tomar um sorvete. Foram dois cafés e dois Magnum. Delícia e energia para pedalar por mais 11 Km de subidas e descidas.

Finalmente chego a Belorado e procuro pelo albergue. Legal! Encontro-o, finalmente! Mas vem o hospitaleiro e diz-me que ñ havia mais "plazas" (vagas), e que deveria ir para o outro povoado, que ficava "somiente a 6 km"!!!
Quando ele me disse isso pensei: "Fala sério Sr. hospitaleiro!!! Ñ tenho mais forças nem para descer da bike!!" e ñ sei mais o que pensei, apenas disse, no meu mais sofrido e arranahdo espanhol: "Señor, yo estoy bastante cansado. Puedo dormir em la grama de su quintal???

E ele fica a me fitar, no fundo dos meus olhos, talvez para ver se era verdade,,, Perguntou-me de onde eu era. E eu, P* da vida, penso: "Po, este sujeito além de nao me ajudar, ainda quer saber de onde eu sou? Pra que? Pra marcar lá no caderninho que negou vaga pra um cidadao de ñ sei onde".
- Brasileño señor, mas vivo em Portugal a 4 años, e venho de Logroño, desde hoje pela mañana.
- Neste sol? Indaga ele.
- Sim, señor. É o nosso caminho, cierto? E hoje vou dormir em qualquer lado, mas ñ pedalo mais, mas mutchas gracias,,, e comecei a dar meia volta.

Ele pede-me para esperar, e logo volta com a esposa e com um molho de chave nas maos.
A chave é da casa deles, que fica por cima do albergue. Ainda em obras, está desativada, e por isso ainda ñ habitam. Mas estava espetacularmente própria para uma noite peregrina.
É um bonito apartamento, com água quente etc. O unico senao seria a poeira, mas que em nada me incomodou.

Solicitei o carimbo na credencial e perguntei o preço do pouso. Eles ñ queriam cobrar-me o valor do albergue, mas fiz questao de pagar os 7 euros, mais 3 euros de desayuno (café da manha).

Instalei-me. Tomei um otimo banho, e também um "banho" com gel para dores musculares.
Fui para a varanda, descansei os pés ao sol, cortei as unhas e bebi uma cervejinha, ñ necessariamente nesta orde. De ferro, só a Lady Laura!

Ouvi o chamado do Rámon e esposa. Estava servido o jantar, delicioso, a 8 euros para cada.
Já havia dito que jantaria com eles. Massa com chouriço, churrasco, peixe com ervilhas, paes e sumos.
Agora sim, o primeiro jantar a sério que eu saboreava em dias. Regado a um vinho mais delicioso ainda, tradicional da regiao de La Rioja.
Por fim, estavamos todos reunidos em sua mesa de jantar: Eu; dois jovens espanhois das Canárias; o Fernando, de Madri; uma moçoila que nao entendi o nome, nem de onde era; uma alema, que nao falava nada, mas ria-se muito; e um koreano, figuraça, que disseram-me depois ser sempre o primeiro a deixar o albergue, com uma lanterna ao peito, a iniciaa o seu caminho ainda na escuridao.

Quase tomamos um porre, e, na medida em que degustava o vinho, falava mais facilmente o espanhol,,, coisas de La Rioja,,,

Depois disso fui dormir. Meio tonto, mas sem fome, descansado, e muito feliz!

Mutchas gracias Ramón e espero que tenham gostado da bandeirinha do Brasil que deixei em vossa mesa!

1 comentário:

Catarina disse...

Noite a Sós com Deus

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido!

Obrigado pelas alegrias que me levantaram
e pelas dores que me fortaleceram.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido.

Obrigado pelos sucessos que me fizeram
sentir-me grande e pelos fracassos que me
deram a oportunidade de perseverar.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido

Obrigado pelos cuidados que me confortaram e
pelas mágoas que me exercitaram para perdoar.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido.

Obrigado pelas horas de bem estar que me mantiveram ativo e por outras que me revelaram o valor da saúde.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido

Obrigado pelos auxílios que me foram prestados
e pelos abandonos que fizeram crescer
meu apoio em mim mesmo.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido.

Obrigado pelas compreensões que encontrei
e pelas incompreensões que algumas vezes
refletiram a minha própria imagem.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido

Obrigado pelos ganhos que fizeram de mim um ser mais confiante
e pelas perdas que me demonstraram
ser possível continuar.

Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido.

Obrigado pelos momentos altos que me exibiram Tuas bênçãos
e pelos momentos baixos que me
abriram para Tua proteção.

Obrigado, Senhor, por jamais teres me esquecido.
Obrigado, Senhor, por mais um dia vivido.
( Sílvia Schmidt)
Meu filhão,
aqui estou ,junto de vc em mais este dia.
bJKS no seu coração daquela que te ama.
Mamica

BUON CAMINO PEREGRINO