Dia: 23/04/07
Distancia Percorrida: 96,61 Km
Tempo de Pedal: 7h 12m 25s
Tempo total: 10h 12m
Velocidade maxima: 55,5 km/h
Velocidade Media: 13,4 km/h
Km totais percorridos: 351,23 Km
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Hoje resolvi dar uma "esticada" no pedal para analisar como meu corpo se recupera.
Embora a distancia tenha sido longa, ñ haviam subidas desgastantes, tampouco temperaturas elevadas. Assim, despúes de analisar meu guia, pedalei a Castrojeriz.
O dia correu bem, mas dentro daquilo que imaginava.
Ao cjegar em Castrojeriz, fui a procura do albergue, como sempre.
Qual o meu espanto quando vejo que, para chegar ao albergue, teria que subir uma escadaria sem igual! E com a bike carregada!
Deixei a Lady Laura e subi sozinho. Ao chegar fui recepcionado por duas bonitas e jovens hospitaleiras. Estaria sonhando? Milagres del camino?? Obrigado Santiago, isso faz bem a vista e reacendem-nos os animos,,,
Antes de chegar ao albergue, pude observar que a cidade era bastante deserta, com várias placas de casas para venda. Parecia uma cidade fantasma, daí o meu espanto quando encontrei as jovens guapas.
Enfim, receberam-me com um sorriso amigo no rosto e, depois de apresentarmo-nos, e carimbos de praxe, deixei uma contribuiçao de 5 euros, já que ñ havia preço fixo.
Perguntei onde poderia deixar a bike. Responderam-me que era lá embaixo mesmo. Ainda bem que ñ subi com tudo,,,
Uma das meninas me acompanhou até a garagem, Bárbara. Quiz ajudar-me a subir com os alforges, mas, mesmo cansado, como poderia deixar uma beleza daquelas carregar peso? Acabei por entregar-lhe apenas minha pochete, e entao ouço um "Glaicon, Glaicon,,," hehe gostei.
Instalei-me, tomei meus banhos de água e gel, e fui a procura de comida, já que o único supermercado do povoado estava fechado, e a soluçao seria ir em uma taberna, e comer um menu "del dia".
Ri sozinho quando percebi que a unica opçao de comida, estava também fechado. E já retornava para o albergue, consciente e aceitando que meu jantar estaria resumido a duas bananas e meio pao, que trazia comigo desde cedo. Talvez comprasse uma coca cola.
No retorno ao albergue encontro uma jovem peregrina solitária, e ela pergunta-me, em español, onde fica o albergue. Nos apresentamos. Katia é o seu nome, italiana, de Roma, começou o caminho em Burgos, e pretendia alugar uma bike, mas ñ conseguiu. Agora, vai a pé. Ofereci-me para carregar a sua mochila e, na direçao do albergue, resolvemos ir a "busca" de algo para comer.
Passaram alguns cachorros por nós, mas como eram muito magros, deixamos de lado. Ríamos bastante, e a cidade parecia mesmo uma "cidade fantasma".
Por "sorte", a senhora do mini mercado apareceu "do nada", e a abriu o seu "estabelecimento". Como ñ havia nada pronto, nem por fazer, sugeri à Katia que fizéssemos o jantar no albergue.
Comprei massa, atum em lata, azeitonas, cogumelos e molho de tomate. Enfim, compramos o que havia no mercado, já que metade dele era de cigarros e guloseimas infantis.
Fomos ao albergue e qual ñ foi a nossa surpresa quando percebemos que ñ havia cozinha!!!
Olhamos um para o outro, e para o saco do supermercado.
Neste momento vimos outros rapazes hospitaleiros, e a Bárbara dirigiu-se a um deles e depois veio até nós, oferecendo a casa para que eu preparasse o jantar. Obrigado Bárbara!! Bár ba ra!
Enquanto a Katia ia para o banho, eu ia para a casa da Bárbara, que fica bem proximo dali. Disse-me que a família estava a tomar conta do albergue, que eles eram da cidade de Burgos, que a outra jovem era a sua irma, e o rapaz, noivo da irma. Hummm,,, Deixei meus contactos com eles, para o caso de aparecerem em Portugal. Gostaria de poder retribuir a hospitalidade.
Preparei o jantar e oferecemos também aos outros peregrinos. Carinhosamente a Katia disse-me que estava delicioso, mesmo. Rimos bastante, pois era uma massa, preparada por um brasileiro, que mora em Portugal, para uma italiana, em Espanha! "Coisas" do Caminho,,,
Ficamos na conversa até altas horas, e combinamos de nos encontrarmos em Léon, dois dias depois. E também de pedalar na Itália; na Grécia,,,
A noite estava linda, com céu limpo e milhares de estrelas. Isso é o Caminho de Santiago de Compostella. Compostella = campo de estrelas,,,
Foi uma ótima noite! Fim de um belo dia!
Obrigado!
segunda-feira
Dia 4 = Logroño - Belorado
22/04/2007
Distancia Percorrida: 72,35 Km
Tempo de Pedal: 6h 26m 44s
Tempo total: 9h
Velocidade maxima: 48,5 km/h
Velocidade Media: 11,2 km/h
Km total percorridos: 254,57 Km
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Pensava em terminar esta jornada na cidade de Nájera, que fica a cerca de 40 km de Logroño.
Mas o caminho foi sereno, mesmo com aquelas montanhas e com os 38ºC sobre o capacete.
Assim, cheguei em Nájera pelas 14:00h, indo direto ao albergue de peregrinos carimbar a credencial. O albergue abriria somente as 16:00h, mas o hospitaleiro, muito gentil, fez-me o favor de carimbá-la. Mais um sellito pasra colecçao,,,
Já passava da hora de "carimbar" alguma coisa no estomago, e agora a procura era por um restaurante ou supermercado.
Sinceramente, pouco me interessam os restaurantes com seus "menu del peregrino". O que mais satisfaz-me é "invadir" um supermercado e comprar as guloseimas, para entao fazer um pic-nic embaixo de uma arvore, na sua sombra, na grama, rodeada de flores; ou mesmo embaixo de uma ponte antiga, ou atras de uma "iglesia", ou na porta de uma fabrica de cerveja.
Paes, presunto, queijo, alface, tomate, iogurte, coca cola gelada, e as inseparaveis bananas (plátano). Como cai bem isso,,, e, de sobremesa, chocolates. Muitos. Aliás, um dos prazeres que tenho ao terminar minhas pedaladas é poder comer, sem remorsos, os meus 3 ou 4 kit kat. Mui bueno,,, y yo preciso de energías,,,
Ainda era muito cedo e as cidades sao razoavelmente pequenas, o que permite-nos conhece-las e fotografá-las em cerca de uma hora. Decidi ir um pouco mais adelante.
Ainda estava esticando as pernas na grama quando aparece, "do nada", a minha amiga Graziella. Que surpresa agradável! Eu já estava de partida, mas resolvi ficar mais um tempo e acompanha-la em seu almoço. Havia também outra mulher, Kaia, que veio da terra do Papai Noel, Finlandia. Kaia nao fala nada de espanhol, e fui o seu interprete para pedir o almoço. Espero que eu tenha acertado na escolha. Já ñ lembro-me o que pedi, mas como ela queria algo com sal, ñ foi difícil escolher no menu. Pela vontade com que ela comia, acho que acertei mesmo.
Elas comeram, e nós bebemos um vinho, e brindamos a vida e as alegrias do caminho!! Rimos, mais emoçoes, mais fotos. Pude saber um pouco mais da Grazi, e soube que ela faz parte de uma associaçao que cuida de crianças carente no Peru. Esta italiana ñ perde tempo,,, demais. Fez-me prometer que irei à Italia, e disse-me que tem 3 filhas lindas, mas que uma é já é casada,,, hehe
Despedimo-nos! Sabe-se lá quando nos veremos novamente,,,
Segui meu caminho, e ela o dela. O mais importante é que durante o tempo em que nossos caminhos se cruzaram, a troca de energias foi fantastica e emocionante. Juntos ganhamos com isso. Obrigado Graziella! Prometi enviar-lhe todas as fotos das flores que eu captar pelo caminho, e assim será.
Seguindo meu rumo, passei por Santo Domingo de La Calzada. Neste povoado existe uma Catedral, onde tem um galo. Até aí, nada de mais.
Mas existe também uma estória, onde diz, resumidamente, que, há séculos, um homem iria ser enforcado por um crime que, alegadamente, cometera. No dia da execuçao, a mulher deste homem foi aos lideres da comunidade, novamente, implorar pela inocencia do marido.
Mais uma vez os lideres riram-se da senhora, e um deles disse que a inocencia daquele homem era tao verdade quanto a possibilidade do galo, que estava na cozinha, a ser escaldado para o almoço, cantar depois de morto.
Mas assim foi: no momento em que foram dar a primeira garfada no bicho assado, sobre a mesa, o dito cujo cantou!! Cantou e livrou o homem da forca!
Desde aí, todos os peregrinos que passam pelo povoado dirigem-se à catedral, e quando o bichano canta, significa que o peregrino terá boa sorte um sua caminhada.
Mas hoje ñ havia galo para cantar, pois a catedral estava fechada. Ñ me preocupei, pois ainda ontem estava na mesa de jantar a ouvir o italiano Alberto "Galo" a cantar com sua gaita, as suas cançoes. Para mim e mais 3 pessoas. De uma forma ou de outra, em meu caminho, eu ouvi o galo cantar.
A passagem por S. D. de La Calzada foi breve; pois é bem pequeno. Dirigi-me entao para Belorado, e pretendia passar a noite ali .
O sol estava a escaldar-me, e nada da chegada de Belorado. Depois de muito sufoco, entrei em um povoado para tomar um sorvete. Foram dois cafés e dois Magnum. Delícia e energia para pedalar por mais 11 Km de subidas e descidas.
Finalmente chego a Belorado e procuro pelo albergue. Legal! Encontro-o, finalmente! Mas vem o hospitaleiro e diz-me que ñ havia mais "plazas" (vagas), e que deveria ir para o outro povoado, que ficava "somiente a 6 km"!!!
Quando ele me disse isso pensei: "Fala sério Sr. hospitaleiro!!! Ñ tenho mais forças nem para descer da bike!!" e ñ sei mais o que pensei, apenas disse, no meu mais sofrido e arranahdo espanhol: "Señor, yo estoy bastante cansado. Puedo dormir em la grama de su quintal???
E ele fica a me fitar, no fundo dos meus olhos, talvez para ver se era verdade,,, Perguntou-me de onde eu era. E eu, P* da vida, penso: "Po, este sujeito além de nao me ajudar, ainda quer saber de onde eu sou? Pra que? Pra marcar lá no caderninho que negou vaga pra um cidadao de ñ sei onde".
- Brasileño señor, mas vivo em Portugal a 4 años, e venho de Logroño, desde hoje pela mañana.
- Neste sol? Indaga ele.
- Sim, señor. É o nosso caminho, cierto? E hoje vou dormir em qualquer lado, mas ñ pedalo mais, mas mutchas gracias,,, e comecei a dar meia volta.
Ele pede-me para esperar, e logo volta com a esposa e com um molho de chave nas maos.
A chave é da casa deles, que fica por cima do albergue. Ainda em obras, está desativada, e por isso ainda ñ habitam. Mas estava espetacularmente própria para uma noite peregrina.
É um bonito apartamento, com água quente etc. O unico senao seria a poeira, mas que em nada me incomodou.
Solicitei o carimbo na credencial e perguntei o preço do pouso. Eles ñ queriam cobrar-me o valor do albergue, mas fiz questao de pagar os 7 euros, mais 3 euros de desayuno (café da manha).
Instalei-me. Tomei um otimo banho, e também um "banho" com gel para dores musculares.
Fui para a varanda, descansei os pés ao sol, cortei as unhas e bebi uma cervejinha, ñ necessariamente nesta orde. De ferro, só a Lady Laura!
Ouvi o chamado do Rámon e esposa. Estava servido o jantar, delicioso, a 8 euros para cada.
Já havia dito que jantaria com eles. Massa com chouriço, churrasco, peixe com ervilhas, paes e sumos.
Agora sim, o primeiro jantar a sério que eu saboreava em dias. Regado a um vinho mais delicioso ainda, tradicional da regiao de La Rioja.
Por fim, estavamos todos reunidos em sua mesa de jantar: Eu; dois jovens espanhois das Canárias; o Fernando, de Madri; uma moçoila que nao entendi o nome, nem de onde era; uma alema, que nao falava nada, mas ria-se muito; e um koreano, figuraça, que disseram-me depois ser sempre o primeiro a deixar o albergue, com uma lanterna ao peito, a iniciaa o seu caminho ainda na escuridao.
Quase tomamos um porre, e, na medida em que degustava o vinho, falava mais facilmente o espanhol,,, coisas de La Rioja,,,
Depois disso fui dormir. Meio tonto, mas sem fome, descansado, e muito feliz!
Mutchas gracias Ramón e espero que tenham gostado da bandeirinha do Brasil que deixei em vossa mesa!
Distancia Percorrida: 72,35 Km
Tempo de Pedal: 6h 26m 44s
Tempo total: 9h
Velocidade maxima: 48,5 km/h
Velocidade Media: 11,2 km/h
Km total percorridos: 254,57 Km
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Pensava em terminar esta jornada na cidade de Nájera, que fica a cerca de 40 km de Logroño.
Mas o caminho foi sereno, mesmo com aquelas montanhas e com os 38ºC sobre o capacete.
Assim, cheguei em Nájera pelas 14:00h, indo direto ao albergue de peregrinos carimbar a credencial. O albergue abriria somente as 16:00h, mas o hospitaleiro, muito gentil, fez-me o favor de carimbá-la. Mais um sellito pasra colecçao,,,
Já passava da hora de "carimbar" alguma coisa no estomago, e agora a procura era por um restaurante ou supermercado.
Sinceramente, pouco me interessam os restaurantes com seus "menu del peregrino". O que mais satisfaz-me é "invadir" um supermercado e comprar as guloseimas, para entao fazer um pic-nic embaixo de uma arvore, na sua sombra, na grama, rodeada de flores; ou mesmo embaixo de uma ponte antiga, ou atras de uma "iglesia", ou na porta de uma fabrica de cerveja.
Paes, presunto, queijo, alface, tomate, iogurte, coca cola gelada, e as inseparaveis bananas (plátano). Como cai bem isso,,, e, de sobremesa, chocolates. Muitos. Aliás, um dos prazeres que tenho ao terminar minhas pedaladas é poder comer, sem remorsos, os meus 3 ou 4 kit kat. Mui bueno,,, y yo preciso de energías,,,
Ainda era muito cedo e as cidades sao razoavelmente pequenas, o que permite-nos conhece-las e fotografá-las em cerca de uma hora. Decidi ir um pouco mais adelante.
Ainda estava esticando as pernas na grama quando aparece, "do nada", a minha amiga Graziella. Que surpresa agradável! Eu já estava de partida, mas resolvi ficar mais um tempo e acompanha-la em seu almoço. Havia também outra mulher, Kaia, que veio da terra do Papai Noel, Finlandia. Kaia nao fala nada de espanhol, e fui o seu interprete para pedir o almoço. Espero que eu tenha acertado na escolha. Já ñ lembro-me o que pedi, mas como ela queria algo com sal, ñ foi difícil escolher no menu. Pela vontade com que ela comia, acho que acertei mesmo.
Elas comeram, e nós bebemos um vinho, e brindamos a vida e as alegrias do caminho!! Rimos, mais emoçoes, mais fotos. Pude saber um pouco mais da Grazi, e soube que ela faz parte de uma associaçao que cuida de crianças carente no Peru. Esta italiana ñ perde tempo,,, demais. Fez-me prometer que irei à Italia, e disse-me que tem 3 filhas lindas, mas que uma é já é casada,,, hehe
Despedimo-nos! Sabe-se lá quando nos veremos novamente,,,
Segui meu caminho, e ela o dela. O mais importante é que durante o tempo em que nossos caminhos se cruzaram, a troca de energias foi fantastica e emocionante. Juntos ganhamos com isso. Obrigado Graziella! Prometi enviar-lhe todas as fotos das flores que eu captar pelo caminho, e assim será.
Seguindo meu rumo, passei por Santo Domingo de La Calzada. Neste povoado existe uma Catedral, onde tem um galo. Até aí, nada de mais.
Mas existe também uma estória, onde diz, resumidamente, que, há séculos, um homem iria ser enforcado por um crime que, alegadamente, cometera. No dia da execuçao, a mulher deste homem foi aos lideres da comunidade, novamente, implorar pela inocencia do marido.
Mais uma vez os lideres riram-se da senhora, e um deles disse que a inocencia daquele homem era tao verdade quanto a possibilidade do galo, que estava na cozinha, a ser escaldado para o almoço, cantar depois de morto.
Mas assim foi: no momento em que foram dar a primeira garfada no bicho assado, sobre a mesa, o dito cujo cantou!! Cantou e livrou o homem da forca!
Desde aí, todos os peregrinos que passam pelo povoado dirigem-se à catedral, e quando o bichano canta, significa que o peregrino terá boa sorte um sua caminhada.
Mas hoje ñ havia galo para cantar, pois a catedral estava fechada. Ñ me preocupei, pois ainda ontem estava na mesa de jantar a ouvir o italiano Alberto "Galo" a cantar com sua gaita, as suas cançoes. Para mim e mais 3 pessoas. De uma forma ou de outra, em meu caminho, eu ouvi o galo cantar.
A passagem por S. D. de La Calzada foi breve; pois é bem pequeno. Dirigi-me entao para Belorado, e pretendia passar a noite ali .
O sol estava a escaldar-me, e nada da chegada de Belorado. Depois de muito sufoco, entrei em um povoado para tomar um sorvete. Foram dois cafés e dois Magnum. Delícia e energia para pedalar por mais 11 Km de subidas e descidas.
Finalmente chego a Belorado e procuro pelo albergue. Legal! Encontro-o, finalmente! Mas vem o hospitaleiro e diz-me que ñ havia mais "plazas" (vagas), e que deveria ir para o outro povoado, que ficava "somiente a 6 km"!!!
Quando ele me disse isso pensei: "Fala sério Sr. hospitaleiro!!! Ñ tenho mais forças nem para descer da bike!!" e ñ sei mais o que pensei, apenas disse, no meu mais sofrido e arranahdo espanhol: "Señor, yo estoy bastante cansado. Puedo dormir em la grama de su quintal???
E ele fica a me fitar, no fundo dos meus olhos, talvez para ver se era verdade,,, Perguntou-me de onde eu era. E eu, P* da vida, penso: "Po, este sujeito além de nao me ajudar, ainda quer saber de onde eu sou? Pra que? Pra marcar lá no caderninho que negou vaga pra um cidadao de ñ sei onde".
- Brasileño señor, mas vivo em Portugal a 4 años, e venho de Logroño, desde hoje pela mañana.
- Neste sol? Indaga ele.
- Sim, señor. É o nosso caminho, cierto? E hoje vou dormir em qualquer lado, mas ñ pedalo mais, mas mutchas gracias,,, e comecei a dar meia volta.
Ele pede-me para esperar, e logo volta com a esposa e com um molho de chave nas maos.
A chave é da casa deles, que fica por cima do albergue. Ainda em obras, está desativada, e por isso ainda ñ habitam. Mas estava espetacularmente própria para uma noite peregrina.
É um bonito apartamento, com água quente etc. O unico senao seria a poeira, mas que em nada me incomodou.
Solicitei o carimbo na credencial e perguntei o preço do pouso. Eles ñ queriam cobrar-me o valor do albergue, mas fiz questao de pagar os 7 euros, mais 3 euros de desayuno (café da manha).
Instalei-me. Tomei um otimo banho, e também um "banho" com gel para dores musculares.
Fui para a varanda, descansei os pés ao sol, cortei as unhas e bebi uma cervejinha, ñ necessariamente nesta orde. De ferro, só a Lady Laura!
Ouvi o chamado do Rámon e esposa. Estava servido o jantar, delicioso, a 8 euros para cada.
Já havia dito que jantaria com eles. Massa com chouriço, churrasco, peixe com ervilhas, paes e sumos.
Agora sim, o primeiro jantar a sério que eu saboreava em dias. Regado a um vinho mais delicioso ainda, tradicional da regiao de La Rioja.
Por fim, estavamos todos reunidos em sua mesa de jantar: Eu; dois jovens espanhois das Canárias; o Fernando, de Madri; uma moçoila que nao entendi o nome, nem de onde era; uma alema, que nao falava nada, mas ria-se muito; e um koreano, figuraça, que disseram-me depois ser sempre o primeiro a deixar o albergue, com uma lanterna ao peito, a iniciaa o seu caminho ainda na escuridao.
Quase tomamos um porre, e, na medida em que degustava o vinho, falava mais facilmente o espanhol,,, coisas de La Rioja,,,
Depois disso fui dormir. Meio tonto, mas sem fome, descansado, e muito feliz!
Mutchas gracias Ramón e espero que tenham gostado da bandeirinha do Brasil que deixei em vossa mesa!
Dia 3 = Estella - Logroño
Distancia Percorrida: 50,39 Km
Tempo de Pedal: 5h 10m 53s
Tempo total: 9h
Velocidade maxima: 52,5 km/h
Velocidade Media: 9,7 km/h
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Primeiro de tudo, muito obrigado a todos pelas demonstraçoes de carinho, isso realmente emociona e dá-nos força para superar os desafios.
So, sai de Estella as 08:00h de la mañana. Como praxe, levantei-me cedo, a las 6, com todos os peregrinos. Acordar ao som de Bob Marley, nas alturas, foi lindo! O Albergue Municipal era espetacular. Uma grande mesa de café da manha, com todos repartindo aquilo que foi comprado na noite anterior. Muita simplicidade, mas muita fartura,,,
Ñ escrevi isso no dia anterior por falta de tempo, mas ao fim do dia de ontem, quando dirigia-me para o meu beliche, para dormir, uma senhora que estava na cama ao lado puxou conversa; Graziella, uma italiana com seus 60 anos, uma energia só! Percorre o caminho a pé, mas esta fazendo parte do percurso de onibus, pois tem o joelho bastante machucado.
Ficamos na conversa até que apagassem as luzes. Ainda bem que ela "habla español", e eu no "portunhol", e no meu "bad english",,,
Enfim, entreguei-lhe um dos meus dois tubos de gel, para dor muscular, que levava comigo, já que o joelho tb é meu problema. Neste momento, pude ver seus olhos encherem-se de água, e claro que o meu idem. Identificamos algumas afinidades em comum, e rimos bastante disso tudo.
Ao levantar-me pela manha, encontro em minhas coisas um chocolate que ela deixou, carinhosamente, sem eu perceber. Esperou que eu montasse na bicicleta para tirar fotos e después despedimo-nos, com a certeza de que talvez nunca mais fossemos encontrar-nos.
Foi muito bonito.
Parti para o meu caminho. O dia foi bastante duro, por várias vezes tive que descer da bike para poder vencer os obstaculos, entretanto se torna cada vez mais compensador! Vale cada esforço, suado, aguerrido,,,
Depois de 5 povoados, cheguei em Logroño, e resolvi parar, pois dois motivos: um, pois ouvi meu joelho dizer ao corpo para ter piedade! E 2 porque a cidade é simplesmente linda! Na primavera entao,,, Procurei pelo albergue municipal e surpreendi-me com a organizaçao e tamanho do dito cujo. Fiquei por lá mesmo.
Agora estou na primeira cidade da regiao de La Rioja, e deixo para tras a regiao de Navarra. Ate chegar em Santiago, faltarao outras duas regioes, Castilla Y Leon e Galizia.
Ao instalar-me no albergue, resolvi dar uma geral na Lady Laura, pois era barro que só.
Estou lá concentrado e entao ouço meu nome. Era a Graziella! Que felicidade que foi aquele momento. Ela foi de onibus e, "coincidentemente" instalou-se naquele albergue,,, coisas do caminho,,,
Fomos passear pela cidade, e depois juntamo-nos a um grupo no albergue: Duas portuguesas, Fatima e Carmo, do Porto; um sueco da minha idade, Thomas, um italiano figuraça, Alberto, sessenta e tantos anos, ex alpinista, ex-marinheiro, ex sei lá o que mais, so sei que ele fala 5 linguas e ficamos todos ouvindo e cantando suas muisicas na gaita. Jantamos e fomos dormir,,, Saudade desta gente ,,,
Tempo de Pedal: 5h 10m 53s
Tempo total: 9h
Velocidade maxima: 52,5 km/h
Velocidade Media: 9,7 km/h
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Primeiro de tudo, muito obrigado a todos pelas demonstraçoes de carinho, isso realmente emociona e dá-nos força para superar os desafios.
So, sai de Estella as 08:00h de la mañana. Como praxe, levantei-me cedo, a las 6, com todos os peregrinos. Acordar ao som de Bob Marley, nas alturas, foi lindo! O Albergue Municipal era espetacular. Uma grande mesa de café da manha, com todos repartindo aquilo que foi comprado na noite anterior. Muita simplicidade, mas muita fartura,,,
Ñ escrevi isso no dia anterior por falta de tempo, mas ao fim do dia de ontem, quando dirigia-me para o meu beliche, para dormir, uma senhora que estava na cama ao lado puxou conversa; Graziella, uma italiana com seus 60 anos, uma energia só! Percorre o caminho a pé, mas esta fazendo parte do percurso de onibus, pois tem o joelho bastante machucado.
Ficamos na conversa até que apagassem as luzes. Ainda bem que ela "habla español", e eu no "portunhol", e no meu "bad english",,,
Enfim, entreguei-lhe um dos meus dois tubos de gel, para dor muscular, que levava comigo, já que o joelho tb é meu problema. Neste momento, pude ver seus olhos encherem-se de água, e claro que o meu idem. Identificamos algumas afinidades em comum, e rimos bastante disso tudo.
Ao levantar-me pela manha, encontro em minhas coisas um chocolate que ela deixou, carinhosamente, sem eu perceber. Esperou que eu montasse na bicicleta para tirar fotos e después despedimo-nos, com a certeza de que talvez nunca mais fossemos encontrar-nos.
Foi muito bonito.
Parti para o meu caminho. O dia foi bastante duro, por várias vezes tive que descer da bike para poder vencer os obstaculos, entretanto se torna cada vez mais compensador! Vale cada esforço, suado, aguerrido,,,
Depois de 5 povoados, cheguei em Logroño, e resolvi parar, pois dois motivos: um, pois ouvi meu joelho dizer ao corpo para ter piedade! E 2 porque a cidade é simplesmente linda! Na primavera entao,,, Procurei pelo albergue municipal e surpreendi-me com a organizaçao e tamanho do dito cujo. Fiquei por lá mesmo.
Agora estou na primeira cidade da regiao de La Rioja, e deixo para tras a regiao de Navarra. Ate chegar em Santiago, faltarao outras duas regioes, Castilla Y Leon e Galizia.
Ao instalar-me no albergue, resolvi dar uma geral na Lady Laura, pois era barro que só.
Estou lá concentrado e entao ouço meu nome. Era a Graziella! Que felicidade que foi aquele momento. Ela foi de onibus e, "coincidentemente" instalou-se naquele albergue,,, coisas do caminho,,,
Fomos passear pela cidade, e depois juntamo-nos a um grupo no albergue: Duas portuguesas, Fatima e Carmo, do Porto; um sueco da minha idade, Thomas, um italiano figuraça, Alberto, sessenta e tantos anos, ex alpinista, ex-marinheiro, ex sei lá o que mais, so sei que ele fala 5 linguas e ficamos todos ouvindo e cantando suas muisicas na gaita. Jantamos e fomos dormir,,, Saudade desta gente ,,,
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sexta-feira
Dia 2 = Huarte - Estella
Distancia Percorrida: 60,34 Km
Tempo de Pedal: 5h 33m 45s
Tempo total: 9h
Velocidade Maxima: 58,5 Km/h
Velocidade Media: 10,8 Km7h
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Pelas oito da manha deixei o albergue de Huarte, depois de um cafe da manha bem reforçado, parti para a Pamplona, que fica a apenas 6Km de onde eu estava.
Pamplona é realmente muito linda. Seus parques muito bem cuidados, muito colorida, ainda mais na primavera. Tulipas, rosas, margaridas, muitas flores em seus jardins. Com tantas flores, como podem amar as touradas? Ou famosa corrida de "toros", pelas ruas. Alias, to sempre torcendo para o bicho,,,
Fiquei um bom tempo pedalando por ali. Parava em um parque, tirava fotos, e visualizava um pouco de historia,,, Carlos Magno, Sancho, Carlos III, e por ai vai,,, Tomei um "cafe sollo" e pedi indicaçoes de como seguir,,,
Parti em direcçao a Puente la Reina, que poderia ter sido o fim desta etapa, mas como ainda estava cedo, e "cheio de gas", optei por avançar ate Estella. Sufoco!
Em Puente la Reina, "almocei" meu lanche Olhei o guia e vi que a distancia era razoavelmente curta, e que faria tal percurso em cerca de 2 horas. Pedala, pedala, pedala, e nada de chegar a Estella.
Alternava o caminho antigo, e a carretera. Alguns trechos do caminho antigo sao intransponiveis pedalando, o que fazia com que tivesse que descer e empurrar os 40 Kg, em subidas cheias de pedras soltas. E prta descer???
Santiago ajuda, e fui "escorado" nele ate o fim da etapa.
Hoje cruzei com cerca de 20 peregrinos a pe. Ainda nao vi ninguem de bike. Estou em um Albergue muito simpatico, e, atras de mim esta um falatorio com uma salada de linguas.
Uau, meu tempo na net esta acabando, depois continuo!!!!
Tempo de Pedal: 5h 33m 45s
Tempo total: 9h
Velocidade Maxima: 58,5 Km/h
Velocidade Media: 10,8 Km7h
Fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Pelas oito da manha deixei o albergue de Huarte, depois de um cafe da manha bem reforçado, parti para a Pamplona, que fica a apenas 6Km de onde eu estava.
Pamplona é realmente muito linda. Seus parques muito bem cuidados, muito colorida, ainda mais na primavera. Tulipas, rosas, margaridas, muitas flores em seus jardins. Com tantas flores, como podem amar as touradas? Ou famosa corrida de "toros", pelas ruas. Alias, to sempre torcendo para o bicho,,,
Fiquei um bom tempo pedalando por ali. Parava em um parque, tirava fotos, e visualizava um pouco de historia,,, Carlos Magno, Sancho, Carlos III, e por ai vai,,, Tomei um "cafe sollo" e pedi indicaçoes de como seguir,,,
Parti em direcçao a Puente la Reina, que poderia ter sido o fim desta etapa, mas como ainda estava cedo, e "cheio de gas", optei por avançar ate Estella. Sufoco!
Em Puente la Reina, "almocei" meu lanche Olhei o guia e vi que a distancia era razoavelmente curta, e que faria tal percurso em cerca de 2 horas. Pedala, pedala, pedala, e nada de chegar a Estella.
Alternava o caminho antigo, e a carretera. Alguns trechos do caminho antigo sao intransponiveis pedalando, o que fazia com que tivesse que descer e empurrar os 40 Kg, em subidas cheias de pedras soltas. E prta descer???
Santiago ajuda, e fui "escorado" nele ate o fim da etapa.
Hoje cruzei com cerca de 20 peregrinos a pe. Ainda nao vi ninguem de bike. Estou em um Albergue muito simpatico, e, atras de mim esta um falatorio com uma salada de linguas.
Uau, meu tempo na net esta acabando, depois continuo!!!!
quinta-feira
Dia 1 = Saint Jean Pied Port - Huarte
Distancia Percorrida: 71,47 Km
Tempo de Pedal: 6h 33m 56s
Tempo total: 9h 30m
Velocidade maxima: 58 km/h
Velocidade Media: 10,8 km/h
Mais fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Quando eu disse que ñ ia planejar muito, ñ foi a toa. Nunca esperava pedalar, no primeiro dia, a distancia que pedalei hoje. Mas assim foi, e assim e o caminho.
As 6h da matina estava de pe. Acordei junto com todos os peregrinos, ate porque e muito dificial continuar dormindo com a barulheira de sacos plasticos, ziperes e feixes de lanterna. Enfim, quando saio no quintal do albergue, com minha lanterna, para recolher algumas peças de roupa que havia lavado no dia anterior, espanto me com a neblina. Absurda! Ninguem enxergava o que fosse, a mais de 5 metros a frente.
Enquanto todos arrumavam as suas coisas, haviam cerca de 15 pessoas neste dia, a senhora hospitaleira fazia um cafe e preparava a mesa para o lanche. Adorei esta senhora, mas nem consigo dizer o nome dela, pois ñ entendi quando ela me falou, nas 3 vezes. Enfim.
Tomo o meu lanche e acabo de arrumar os 17 Kg na bike. Pelas 7:3oh estava deixando o albergue e tambem a cidade de SJPP, em direcçao a Roncesvalles. Depois de anos a imaginar como seria, começava a realizar um sonho. No caminho, ainda em SJPP, muitas flores em muitos jardins,,,

Estava preparado psicologicamente para a subida dos Pirineus, mas devido ao barro, o caminho pela Rota de Napoleao ñ era o mais indicado para ciclistas, diziam os hospitaleiros. Segui a dica e parti pela Rota de Valcarlos, atraves de "la carretera", mas tambem nada de sossego. Em toda a subida, a velocidade fica entre 3,9 e 5 Km/h, e, nesta velocidade baixa, ate uma pequena pedra pode derrubar nos, pois o equilibrio fica complicado. Por conta disso, quase fui ao chao em duas ocasioes, e quando vi aquilo que poderia me derrubar, pensei: "temos que dar mais valor para as pequenas coisas,,," hehe ensinamentos do caminho,,,
A neblina abaixou pelas 9:ooh, e pude entao desligar as lanternas traseiras. Fica aqui um elogio aos motoristas espanhois: Em nenhum momento senti algum risco devido a imprudencias ou falta de respeito no transito. Impecaveis.

Pedala, pedala, pedala; sobe, sobe, sobe. Nada de descidas,,,
Quando vejo no relogio, sao 12:ooh. Sabia que nos Pirineus deveria lanchar por minha conta, e ñ esperar chegar em Roncesvalles, pois passa da hora,,, Parei a bike em uma sombra, comi bananas, chocolates, barras de cereais e madalenas. Estiquei a minha esteira e dormi. Dormi legal, acho que ate sonhei. Em um momento acordei com medo de rolar la pra baixo,,, e mudei de posiçao,,,
Meu despertador toca uma hora depois. Quando tento levantar me: caibras na perna.
Uns alongamentos e vamos com tudo,,, um pouco de neve, mas na boa,,,

Se subimos muito, temos que descer muito, e a descida dos Pirineus foi fantastica! 58 km/h, curvas e mais curvas, e a Lady Laura começa a "rebolar". Gelei. Resolvi ñ passar mais dos 50 km/h.
Cheguei em Roncesvalles pelas tres da tarde. O albergue so abriria as 16:oo, e, de ante mao, senti que nao iria haver vagas, e, alem disso, tinha acabado de "vencer" os Pirineus, queria pedalar mais! Peguei o carimbo na Igreja, mesmo com os outros peregrinos a esperarem pela abertura. Assim que cheguei em Roncesvalles, sentei me em um banco de praça e um senhor bem velho meteu conversa comigo. Disse que ja tinha pedalado de Amsterda ate Santiago de Compostela, enfim, ficou lembrando do seu passado ciclista e rimos muito. hehe Foi um barato. E por fim, depois de explicar que infelizmente ñ iria pegar o carimbo ali, ele me pede a credencial e diz me que aguarde um instante que ele faz questao de carimbar pra mim, ja que e ele o hospitaleiro. hehe Me deu a dica de seguir ate Zubiri, cerca de 21 Km a frente.
La vou eu. Despeço me de um italiano figura que estava no albergue comigo em SJPP e entro, pela primeira vez, no Caminho antigo, mas fico apenas ate Espinhal, pois a partir dai as condiçoes estvam mesmo mal.
Volto para a carretera, chego em Zubiri, mas resolvo esticar ate Larrasoaña, alguns km a frente. Cheguei ja um pouco cansado, mas contente. Entro no albergue e vejo que ñ ha vagas. Mas como? To cansado!! Penso em ficar em uma pensao, mas, sigo o conselho da hospitaleira e pedalo mais 9 Km, ate Huarte. Mas carimba aqui por favor senhora,,,
Huarte: Um delirio de albergue. Daqui que escrevo estes post, sem pagar nada. Sao 4 euros a hospedagem, e deixo uma "caixinha" sem pestanejar.
Tomo um banho quente delicioso, espalho gel para as dores musculares que hao de chegar esta noite, tomo um Momendol para ajudar a alivia las e saio a rua na direcçao de um supermercado:
Duas latas de sardinha, 1 litro de suco de laranja, 1 baguete e meia, 2 iogurtes, 3 madalenas, queijos e pronto. Meu jantar foi esse, e a fome era tanta que comecei a abrir as embalagens ainda no caixa.
Por hora e isso. To cheio de sono.
Amanha pretendo chegar em Puente La Reina, e sei que tem uma subida que termina no Alto do Perdon. hehe
Buen camino peregrino!
Ja sao quase 22:ooh, e o albergue vai fechar as portas. Vou para o meu quarto, com 2 beliches,,, Deixo uma foto da paisagem dos Pirineus,,,
Tempo de Pedal: 6h 33m 56s
Tempo total: 9h 30m
Velocidade maxima: 58 km/h
Velocidade Media: 10,8 km/h
Mais fotos deste dia: Aqui.
ou
Aqui.
Quando eu disse que ñ ia planejar muito, ñ foi a toa. Nunca esperava pedalar, no primeiro dia, a distancia que pedalei hoje. Mas assim foi, e assim e o caminho.
As 6h da matina estava de pe. Acordei junto com todos os peregrinos, ate porque e muito dificial continuar dormindo com a barulheira de sacos plasticos, ziperes e feixes de lanterna. Enfim, quando saio no quintal do albergue, com minha lanterna, para recolher algumas peças de roupa que havia lavado no dia anterior, espanto me com a neblina. Absurda! Ninguem enxergava o que fosse, a mais de 5 metros a frente.
Enquanto todos arrumavam as suas coisas, haviam cerca de 15 pessoas neste dia, a senhora hospitaleira fazia um cafe e preparava a mesa para o lanche. Adorei esta senhora, mas nem consigo dizer o nome dela, pois ñ entendi quando ela me falou, nas 3 vezes. Enfim.
Estava preparado psicologicamente para a subida dos Pirineus, mas devido ao barro, o caminho pela Rota de Napoleao ñ era o mais indicado para ciclistas, diziam os hospitaleiros. Segui a dica e parti pela Rota de Valcarlos, atraves de "la carretera", mas tambem nada de sossego. Em toda a subida, a velocidade fica entre 3,9 e 5 Km/h, e, nesta velocidade baixa, ate uma pequena pedra pode derrubar nos, pois o equilibrio fica complicado. Por conta disso, quase fui ao chao em duas ocasioes, e quando vi aquilo que poderia me derrubar, pensei: "temos que dar mais valor para as pequenas coisas,,," hehe ensinamentos do caminho,,,
A neblina abaixou pelas 9:ooh, e pude entao desligar as lanternas traseiras. Fica aqui um elogio aos motoristas espanhois: Em nenhum momento senti algum risco devido a imprudencias ou falta de respeito no transito. Impecaveis.
Pedala, pedala, pedala; sobe, sobe, sobe. Nada de descidas,,,
Quando vejo no relogio, sao 12:ooh. Sabia que nos Pirineus deveria lanchar por minha conta, e ñ esperar chegar em Roncesvalles, pois passa da hora,,, Parei a bike em uma sombra, comi bananas, chocolates, barras de cereais e madalenas. Estiquei a minha esteira e dormi. Dormi legal, acho que ate sonhei. Em um momento acordei com medo de rolar la pra baixo,,, e mudei de posiçao,,,
Meu despertador toca uma hora depois. Quando tento levantar me: caibras na perna.
Uns alongamentos e vamos com tudo,,, um pouco de neve, mas na boa,,,
Se subimos muito, temos que descer muito, e a descida dos Pirineus foi fantastica! 58 km/h, curvas e mais curvas, e a Lady Laura começa a "rebolar". Gelei. Resolvi ñ passar mais dos 50 km/h.
Volto para a carretera, chego em Zubiri, mas resolvo esticar ate Larrasoaña, alguns km a frente. Cheguei ja um pouco cansado, mas contente. Entro no albergue e vejo que ñ ha vagas. Mas como? To cansado!! Penso em ficar em uma pensao, mas, sigo o conselho da hospitaleira e pedalo mais 9 Km, ate Huarte. Mas carimba aqui por favor senhora,,,
Huarte: Um delirio de albergue. Daqui que escrevo estes post, sem pagar nada. Sao 4 euros a hospedagem, e deixo uma "caixinha" sem pestanejar.
Tomo um banho quente delicioso, espalho gel para as dores musculares que hao de chegar esta noite, tomo um Momendol para ajudar a alivia las e saio a rua na direcçao de um supermercado:
Duas latas de sardinha, 1 litro de suco de laranja, 1 baguete e meia, 2 iogurtes, 3 madalenas, queijos e pronto. Meu jantar foi esse, e a fome era tanta que comecei a abrir as embalagens ainda no caixa.
Por hora e isso. To cheio de sono.
Amanha pretendo chegar em Puente La Reina, e sei que tem uma subida que termina no Alto do Perdon. hehe
Buen camino peregrino!
Ja sao quase 22:ooh, e o albergue vai fechar as portas. Vou para o meu quarto, com 2 beliches,,, Deixo uma foto da paisagem dos Pirineus,,,
VIII - Pamplona - Saint Jean Pied Port

Ñ tive que pagar excesso de bagagem, mui bueno,,,
Cheguei em Pamplona no horário previsto, e na já na saída do aeroporto consegui um taxista para SJPP. Esta cidade é pequenina, mas muito charmosa e encantadora.
Logo em minha chegada, passei o maior aperto por ter que carregar a mala bike até que encontrasse o albergue dos peregrinos. Por sorte fica próximo de onde eu estava, que era o posto de informacoes turísticas.
Por fim cheguei no albergue. Carimbei minha credencial e tratei de montar a Lady Laura.
Umas regulagens no freio devido a ñ sei o que, e depois passei o resto da tarde a passear pela cidade e tirar umas fotos.
Pelas nove da noite ja estava na cama. Um quarto bem grande, que dividi com duas jovens japonesas, um jovem italiano, um casal de idade, canadenses, e a Marlene, uma figuraça, tambem do Canada, Vancouver. Nenhum deles em bicicleta.
Amanha começa a serio,,,
n.e.: Perdoem me os acentos, pois arranjei um notebook, mas ñ compreendo este teclado,,,
quarta-feira
VII - Vôo Lisboa - Pamplona
Tá quase,,,
São 03:00h e meu vôo é as 07:05h da matina. Iberia 3119, Lisboa - Pamplona, com escala em Madrid, e chegada prevista em Pamplona as 11:30h.
A bagagem está acomodada nesta mala bike, e ronda os 37kg. O limite é 20kg, e espero que a Iberia ceda à causa nobre peregrina e dispense o excedente ao pagamento de excesso de bagagem. Se a causa não for aceita, ainda vale tentar o "jeitinho brasileiro".
Não quero estender-me em Pamplona; é chegar lá e procurar um taxista que leve-me a Saint Jean Pied Port, em França. Cerca de uma hora, e aí sim, instalar-me no albergue, montar a Lady, umas voltas de reconhecimento na cidade e aquecer o estômago, por que de ferro, só a bicicleta.
No mais é descansar para enfrentar o dia seguinte, que é a dura subida através dos Pirineus, em direcção a Roncesvalles, já em Espanha; partindo de 160m sobre o nível do mar, para cerca de 1.400m, em menos de 19 Km.
Sinto o sono me chamando, mas também uma adrenalina gostosa, talvez resultante do meu sentimento de uma primeira etapa concluída.
Tão importante quanto todas que enfrentarei, lá no início, quando tomei a decisão de percorrer esta rota secular, com muitas histórias, lendas e curiosidades, vejo que comecei minha primeira etapa, e durou até a pouco, assim que fechei o zíper e passei o cadeado na mala.
Já não preocupo-me se esquecerei algo, já não revejo a lista dos itens 500 vezes, já não penso em nada, não faço nada, apenas escrevo e sigo sonhando acordado, a Ele entregando, confiando, aceitando e agradecendo.
Agradeço agora por permitir-me viver e realizar este caminho.
Buen camino peregrino!
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